quinta-feira, 31 de maio de 2012

NÍNIVE OU TÁRSIS? Jonas 1:1-3


Jonas, o profeta, devia ir a Nínive. Mas ele se enfiou no navio para Társis. Depois de muitas “curvas”, ele acabou em Nínive.

Jonas é um profeta resistente a brigar com uma vocação definitiva: Nínive. Grande e ameaçadora capital. Detestável lugar de missão. Lugar de impossível conversão. Um lugar aonde não se vai... quando a possibilidade de escolha é nossa.

Nínive é o lugar que Deus escolhe para si mesmo. Uma escolha contra os índices, estatísticas e análises. O livro de Jonas a descreve com o binômio “violência” e “maldade”. O profeta Naum caracteriza a cidade de forma pouco recomendável: violência e extorsão em tempo de guerra; prostituição, baixaria, exploração comercial. Pois é para Nínive que Deus envia Jonas. Deus é mesmo muito estranho!

Jonas decide ir a Társis. Társis também precisa de profeta. Társis é o Eldorado. No imaginário bíblico é um lugar de difícil identificação. É o mundo do além-mar, onde há grande comércio e muita riqueza. O Eldorado. É para Társis quem Jonas compra passagem. É a experiência da auto vocação como espaço de fuga.

Os mulçumanos não permitem que bebam e eles não bebem. Não permitem que joguem e eles não jogam. Eles que crêem em um deus de mentira, obedecem. E o cristão, que tem um Deus verdadeiro e não obedece. “Por que me chamas Senhor, Senhor e não fazes o que mando?” Dá vergonha!

No nosso jeito costumeiro de ler o livro de Jonas, o profeta quase sempre sai apanhando, não é verdade? Ele é o vilão da história e nós, sacudindo o pó de nossas mãos, vamos aliviados para casa. Porque, afinal de contas somos os “crentes direitinhos” a caminho de Nínive. Ilusão de fariseu! É preciso dizer com todas as letras! Eu sou Jonas. Você é Jonas, Em Gênesis 12, Deus diz a Abrão vai! Ele foi. Deus diz z Jonas, vai. Ele foi para Társis.

Nós não gostamos de Nínive. Nós não queremos ir a Nínive. Nós queremos mesmo é ir para Társis. E fazemos uma enorme ginástica espiritual para convencer os outros e a nós mesmos que Társis é o lugar da nossa vocação. E, na fila para comprar para comprar passagem para Tàrsis. Acabamos compartilhando a suposta história da nossa vocação... para Társis, é claro. História sem tempestade e sem peixe. Sem relutância, nem desobediência, sem arranhões... Somos limpos e penteados... neste sono profundo. Mas tudo isso é muito geral e amplo.

Ir a Nínive significa experimentar a própria vocação (chamado) como peso e não como alivio. Significa anunciar o Juízo de Deus e explicitar um compromisso com a justiça de Deus, que não espera outra coisa a não ser um arrependimento profundo e uma conversão radical: da vila ao palácio, do individual ao coletivo, do pessoal ao ambiental, do relacional ao institucional. E, significa, não por último, ser surpreendido por aquilo que Deus faz inesperada e graciosamente, como no caso de Nínive. Eu ajo como Jonas? Dó da planta que morreu e ódio pelos ninivitas.

Társis, pelo contrário, é a escolha do nosso chamado como espaço de autopromoção. É o uso da linguagem da vocação como acobertamento da ambição, seja pessoal ou institucional. Ir a Társis significa transformar a fé cristã em uma religião representativa que cobiça o bolo do poder e até se satisfaz com um pedaço do bolo. Pessoas sinceras que sinceramente estão indo para o inferno.

Hoje, eu queria convidar Jonas a, “caminho d’um dia”, percorrer as nossas conferências e encontros, cultos e celebrações e diálogos convocando-nos ao arrependimento para que, quem sabe, tenhamos a graça de um encontro com o Deus que é, ao mesmo tempo, assustadoramente sério e surpreendentemente 
misericordioso. Ao caminhar entre nós, Jonas nos lembrando que Nínive é o lugar da nossa vocação e que o caminho para Társis não vale a pena. Jó 20:22: “Soprou sobre eles”. Jangada: sopro do vento. Não para ficar parados.

Caminhamos rumo a Nova Jerusalém balbuciando esta oração de conversão e clamando por este “arrependimento de Deus” que nos permite experimentar a Sua Graça. Nínive ou Társis – a escolha não é nossa.

Deus o abençoe.



PR. EDSON FARIAS DE CASTRO




Fonte: Umuarama Ilustrado

0 Comentários
Comentários
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...