domingo, 4 de novembro de 2012

Sete peças se multiplicam em mil imagens


Tangram é uma espécie de quebra-cabeça de sete peças que unidas formam um quadrado. Quando combinadas das mais diversas maneiras, essas peças transformam-se em figuras, como de animais, pessoas e plantas. Duas regras existem para tornar a brincadeira ainda mais desafiadora: para criar uma imagem, as sete figuras geométricas devem ser usadas e uma peça não pode ficar posicionada sobre a outra.

As possibilidades de criação são praticamente inesgotáveis e muitas são as qualidades que esta atividade desperta. Criatividade, concentração, superação de desafios e satisfação a cada nova figura descoberta são algumas delas.

Nas mãos de Bianca Caroline Carvalho, 22 anos, o tangran foi instrumento educativo que ela usou como aluna do curso de Letras e como professora de português do 7º ano da EM Pedro Ferreira Duarte Neto, de Araçoiaba da Serra. Em parceria com uma colega da faculdade, Bianca produziu um video em que conta uma história usando o tangran como ilustração (o video A História do Tangran pode ser visto no You Tube). Aos alunos, a jovem professora apresentou o jogo para proporcionar algo diferente, que mexesse com a imaginação e concentração dos meninos e meninas de 12 anos.

Segundo Bianca, a maioria dos alunos da escola vêm de longe, inclusive de zonas rurais das proximidades, poucos têm acesso à internet e a sala da informática da escola tornou-se realidade há bem pouco tempo. “Eu queria ter um recurso que suprisse certas necessidades desses alunos, que servisse de estímulo”, diz.

Desafio e superação

O tangran é formado por 5 triângulos de tamanhos diferentes, 1 quadrado e 1 paralelogramo. Após apresentar o jogo, suas formas e suas regras - a de usar todas as peças e nunca posicionar uma sobre a outra - Bianca pediu aos alunos que fizessem um livreto de história ilustrada usando o tangran para fazer o desenho dos personagens principais.

Escrever uma história, desenhar cenários, criar uma figura com o tangran e colar as peças eram realmente um desafio, mas Bianca sabia da capacidade de seus alunos - como forma de incentivo, a escola premiou o aluno Alifer pelo conto A História de João, que ele mesmo escreveu. “A proposta fez com que saíssem da rotina. E vi tantos trabalhos caprichosos, tantas histórias criativas”, comentou.

A aluna Jayne Fernanda de Oliveira já conhecia o tangran e achou “bem legal usá-lo em sala de aula”. Eduarda Stefani Medina conta que precisou usar muita paciência. “Logo que comecei a montar os personagens, achei bem difícil”. Enquanto formava a figura de um menino com as peças maiores do tangran em sua carteira escolar, Lara Mariana Fogaça explicou a necessidade de exercer a calma na produção do trabalho. “As peças eram pequenas e colavam no dedo”, falou.

A intenção de provocar nos alunos o prazer de passar por dificuldades, de autoconfiança e autoestima foi bem sucedida. Jonathan Nunez Nascimento ficou tão empolgado que concluiu seu trabalho em três dias. Kelvyn Cristian Rodrigues Silva considerou um milagre a finalização de seu trabalho e admitiu a boa sensação de superar um desafio. “Eu me senti super bem ao ver que consegui fazer o trabalho”.

Lendas

Uma das lendas que rondam o surgimento dessa atividade bem interessante conta que um mensageiro quebrou um espelho em formato quadrado que pertencia a um imperador. Na tentativa de juntar os pedaços partidos novamente, ele percebeu que foi formando várias figuras.

Outras histórias substituem o espelho por uma pedra preciosa. Enfim, o que se sabe mesmo sobre a origem do Tangran é que ele surgiu na China e que na Ásia, o jogo é chamado de Sete Placas da Sabedoria - talvez porque estimule também o raciocínio lógico. De acordo com a Enciclopédia do Tangram  é possível montar mais de 1.700 figuras com as sete peças.

tangram

números tangram

figuras tangram
figuras variadas tangram






Fonte: Cruzeiro do Sul

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