Comparáveis às dores do parto, e consideradas uma das dores mais severas que o corpo humano pode suportar, as cólicas renais são um dos sintomas dos cálculos renais, doença mais conhecida como pedras nos rins.
As áreas atingidas pela cólica renal são a lateral do corpo (região
lombar), a barriga e as costas. Em geral, o paciente com pedras nos rins
sente dores em apenas um lado do corpo.
As cólicas, que começam de repente, são apenas um dos sinais da presença de cálculos renais
e são um sintoma crucial para o diagnóstico da doença, que de acordo
com o médico Dráuzio Varella, atinge cerca de 10% dos brasileiros.
O que causa as cólicas renais?
As
cólicas renais são mais comuns em pessoas entre os 20 e os 50 anos, e
atinge os homens com mais frequência. Causadas pela movimentação dos cálculos renais
dentro do sistema urinário, elas costumam atingir apenas um lado do
corpo. A dor é aguda, começa na parte superior da lombar, e migra até
chegar à área genital.
Essas “pedras” podem surgir em qualquer ponto do sistema urinário, como os rins, os ureteres, a bexiga e a uretra. Os cálculos alojados não causam dor e são assintomáticos, sendo mais perigosos. Mesmo quando a dor desaparece, sem tratamento, é importante procurar um médico
para verificar se os cálculos foram eliminados na urina ou se estão
armazenados em algum ponto do sistema urinário, como os ureteres, canais
que ligam os rins e a bexiga.
O que causa o cálculo renal?
Os cálculos renais variam em tamanho e em composição. Na maioria dos casos, eles são formados por oxalato de cálcio, substância presente em alguns alimentos como chocolate, beterraba, espinafre e amendoins.
A
absorção excessiva de oxalato de cálcio pelo intestino faz com que o
descarte da substância seja feito pela urina, acumulando-a no sistema
urinário. Mesmo que o cálcio seja parte do problema, uma dieta
que cause carência da substância não é recomendada, já que ela é
necessária para a formação dos ossos e a prevenção da osteoporose.
Existem também os casos em que os cálculos renais são constituídos de ácido úrico.
Mais comum em homens, esse tipo de calcificação é formada quando a
urina está muito ácida, o que pode acontecer em pessoas passando por
quimioterapia, com gota, ou que consomem muita proteína animal.
Já os cálculos de estruvita
são mais comuns em mulheres e podem causar obstrução urinária. Em
geral, esse tipo de pedra surge de infecções nos rins. Por fim, existem
as pedras nos rins causadas pela cistina, um ácido natural do corpo e
que, devido a uma disfunção genética, pode causar cálculos renais.
Os fatores de risco
para o desenvolvimento das pedras nos rins estão relacionados aos
problemas metabólicos, aos hábitos alimentares, à falta de ingestão de
líquidos, às inflamações nos rins e à ingestão de alguns medicamentos.
Quais são os outros sintomas, além da cólica renal?
Além das dores, causadas pela movimentação dos cálculos renais dentro do corpo, outros sintomas comuns das pedras nos rins são as dores ao urinar, que podem ser confundidas com sintomas de infecção urinária.
Esse tipo de dor acontece quando o cálculo atinge a região entre a
bexiga e a uretra. A vontade repentina de ir ao banheiro com urgência e a
emissão de pouca urina, também são sintomas que podem levar à confusão
no diagnóstico.
A presença de sangue na urina, assim como uma aparência turva e forte odor também são características sintomáticas das pedras nos rins. Além disso, existem sintomas não relacionados ao trato urinário, como vômito, urina, febre e calafrios.
Como as pedras nos rins são diagnosticadas e tratadas?
O diagnóstico de cálculos renais
costuma ser rápido, quando há dor. Quando não há cólicas, o médico pode
solicitar exames de sangue e urina para verificar os níveis de
elementos como o oxalato de cálcio e o ácido úrico no organismo. Além
disso, podem ser realizados exames de imagem para verificar obstruções
nos canais urinários.
Os métodos de tratamento
e desobstrução das vias urinárias impedidas são diversos. As cirurgias,
muito utilizadas antigamente, estão sendo substituídas por métodos
menos invasivos, como a litotripsia, por exemplo. Nesse tipo de
tratamento, ondas de choque são direcionadas às pedras para quebrá-las,
tornando mais fácil eliminá-las pela urina.
Cálculos
renais pequenos, são expelidos naturalmente na urina e os pacientes
recebem medicação para dor enquanto passam pelo processo de eliminação.
Em outros casos, ainda existe a opção endoscópica e microcirurgias.
Como prevenir a formação de pedras nos rins?
Um dos principais fatores de risco
para o desenvolvimento de pedras nos rins é emitir menos dois litros de
urina por dia, por isso, os médicos recomendam a ingestão de líquidos,
principalmente água. Além disso, não segurar a urina e evitar infecções
urinárias estão entre os itens importantes na prevenção da doença.
Quanto à alimentação,
estudos apontam que dietas com ingestão controlada de proteínas e sal
podem ajudar a prevenir a doença. A pesquisa realizada mostrou que os
pacientes com dieta com quantidade indicada ou superior de cálcio
tiveram menos reincidência que os que comeram mais sal e proteína
animal. Também é aconselhado reduzir o consumo de bebidas ricas em
fosfato como refrigerantes e o suco de tomate.
Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila
Design: Raphael Alpoim
Diretor Geral: Geraldo Majella